O plano (o sentido da coisa)

Conforme dito já no post anterior havia um plano, mas que atá agora não foi nem para o papel, o motivo é que o plano é genérico de mais para ser elaborado ou executado. O Plano era aprender coisas úteis que contribua para o nascimento de uma startup e colocara  a empresa para rodar.

Ao logo do período de faculdade só pensei nisso, me dediquei muito, mas me faltava uma coisa para levar o plano a um outro patamar: foco e garra. Além do plano ser genérico minha vida era genérica e repleta de procrastinação. Para especificar o plano eu precisava de foco no plano, na elaboração, testes, execução, mas sempre havia uma prova, hobbie, festa ou qualquer outra desculpa para seguir os instintos ao invés do plano.

Especificar o plano era traçar os próximos anos da minha vida e ao escolher um caminho viveria todas as tristezas e alegrias proporcionada por este, abrindo mão de todas as vidas que poderiam ser vividas se optasse por outras jornadas, tudo aquilo de que se abre mão ao se fazer uma escolha em economia é chamado de custo de oportunidade. Eu deveria ter aprendido a escolher, mas isso nunca foi fácil para mim. Na infância lembro de um dia na pré escola a professora ter colocado uma caixa cheia de fantasias no meio da sala e pedir para cada um escolher a sua, acho que fui um dos primeiros, escolhi as partes das fantasias que achei mais legais e acabei ficando completamente descaracterizado, meus colegas ficaram com suas fantasias incompletas, mas dava para notar de longe do que eram.

Para Jean Paul Sartre somos livres para escolher e responsáveis pelas nossas escolhas, e essas escolhas definem quem somos. Seu pensamento é sintetizado pela frase: a existência precede a essência. Significa que não há um molde do homem pré definido pelo cosmo, natureza, sociedade e nem mesmo por nós mesmos, a nossa existência nos molda e apenas ela dirá quem somos. Porém, a liberdade que o homem tem para escolher tem suas implicações, que vão bem além do custo de oportunidade dos economistas. Ao tomar uma decisão e abrir mão de todas outras opções o homem impõe ao resto do mundo a sua decisão eliminando todas as outras possibilidades de existência de que abriu mão ao resto humanidade. Diante de tamanha responsabilidade imposta pela liberdade de poder escolher sentimos o seu peso sobre a forma da angustia.

Para aumentar ainda mais a responsabilidade sobre as escolhas que fazemos Nietzsche nos expõe a ideia do eterno retorno nos deixando a pergunta: como viveria se estivesse condenado a viver essa mesma vida, exatamente da mesma forma por toda a eternidade?

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência (…). A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!”. Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?” (Nietzsche, A Gaia Ciência (1882), Aforismo 56).

Como imporia a humanidade a sua existência nesse caso?

Diante desse cenário complexo de possibilidades haverá a necessidade de algum critério de escolha que irá esbarrar inevitavelmente em algum valor ou desejo nosso. Nesse curto caminho que trilhei conheci um engenheiro que me disse que a economia era uma ciência por definição triste, a definição marginalista de economia é “economia é a ciência que estuda a alocação eficiente de recursos escassos entre fins alternativos e competitivos”. Segundo esse amigo, nunca haveria saciedade ou bem estar geral, alguém sempre perderia e eles está certo, porque os desejos do homo economicus são por definição ilimitados.

Para as escolas de ciências sociais aplicadas como a escola marginalista de economia o problema das escolhas é reduzido a equações com um número pequeno de variáveis ordenáveis que retratam o grau de felicidade do individuo. Com a resolução de um sistema de equações ou com a simulação de cenários são descobertas as decisões ideias. Outras escolas estudariam os casos da história ou fariam analogias para chegarem a uma conclusão. De qualquer forma na teoria ou no mundo real para o homo economicus a plena felicidade sempre será uma lenda.

Os filmes Efeito Borboleta (2004) escrito e dirigido por Eric Bress e J. Mackye Gruber , Mr. Nobody (2009) escrito e dirigido por  Jaco Van Dormael e Donnie Darko (2001) escrito e dirigido por Richard Kelly são boas referências de filmes que oferecem ao expectador a possibilidade de viver através de seus personagens principais vidas que não são regidas pela regularidade e linearidade do tempo e espaço, tornando o ato de decidir  “mais leve”.

Praticamente tudo o que eu escrevi foi aprendido porque estava no plano, economia para saber analisar cenários e as melhores decisões econômicas, filosofia para tomar as melhores decisões em termos pessoais e sociais e cinema porque eu adoro filmes e tenho que fazer o que amo.

Após toda essa reflexão sobre sobre escolha e suas implicações fica claro que  não houve um plano claro no início com engajamento para ser executado, diante da inercia da vida boa fui aprendendo o que achava que gostava, agora é hora de por a mão na massa para fazer o melhor trabalho possível nas atividades que gosto afim de descobrir ou criar oportunidades.

Tenho que fazer o que eu gosto: gosto de gerenciar e executar projetos, otimizar sistemas e processos e procurar e analisar cenários e oportunidades.

Estruturando um pouco mais detalhadamente a minha trajetória percorrida e a percorrer os próximos passos me parecem mais claros:

  1. Conhecimento genérico eletivo – concluído (7 anos) – 26 anos
    Faculdade, estágios, programas extracurriculares, cursos, palestras e qualquer outra forma de conhecimento profissional e pessoal que não se aplica no core do business final ou para funcionamentos do business. Objetivo é dar maturidade.
  2. Conhecimento técnico específico core do business final (2 anos) – 27 anos
    Foco em inglês e  programação de sites e sistemas online de empresas na linguagem Ruby ou Java.
    Vivenciar os business e procura parcerias.
  3.  Rodar o VMP (Minimum Viable Product), vender o produto e elaborar plano de negócios.

Agora não tem desculpas é mão na massa!

 

Bibliográfia

 

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/existencialismo-o-homem-esta-condenado-a-ser-livre.htm

http://www.eternoretorno.com/eterno-retorno-nietzsche/

https://filosofonet.wordpress.com/2010/10/10/sartre-e-a-angustia-da-escolha/

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s